Marvão situa-se a cerca de 4,3 quilómetros da actual fronteira com Espanha. Situada no contraforte do maciço montanhoso da Serra de São Mamede, a sua Fortaleza foi, ao longo da sua história, um local privilegiado de observação e um reduto estratégico para a defesa da fronteira, nomeadamente face a Valencia de Alcântara, integrando o conjunto de fortalezas abaluartadas da Raia alentejana.

Marvão e o seu território passaram para o domínio do primeiro rei português, Afonso Henriques, entre 1160 e 1162 e o foral concedido em 1226 veio consolidar a presença portuguesa no território.

A vitória do rei Dinis sobre o seu irmão Afonso, resultou no reforço do povoamento e das estruturas defensivas dos burgos entrados no domínio régio. Em Marvão, Dinis promoveu a construção da torre de menagem do castelo e alargou o seu reduto.

Face à permanente falta de povoadores, o rei Fernando I aí estabeleceu um couto de homiziados (1378).

No seguimento da expulsão de que foram alvo em Castela, em 1492, cerca de 15 000 judeus atravessaram a fronteira em Marvão, tornando a vila e as judiarias da região em espaços privilegiados de acolhimento.

O início da Guerra de Restauração (1640-1668) obrigou à actualização das estruturas defensivas das fortalezas implantadas ao longo da Raia.

Ao contrário de outras fortalezas da Raia que receberam importantes complexos fortificados, a Praça de Marvão manteve o seu cunho medieval. Os trabalhos desenvolvidos ao longo do período da Restauração consistiram sobretudo na inclusão de construções abaluartadas em pontos estratégicos do perímetro defensivo medieval. As intervenções no amuralhado prosseguiram no início da década 1660, dirigidas por Luís Serrão Pimentel.