Contrasta foi fundada nos inícios do séc. XIII, pelo rei Sancho I. Afetada pelas lutas luso-leonesas e pelos interesses contrários da nobreza do Entre Lima e Douro e da Sé de Tui, o seu povoamento permaneceu comprometido até ao reinado de Afonso III (1262).

Renomeada, repovoada e refortificada, Valença tornou-se uma das fortalezas mais importantes do Minho, no âmbito de uma crescente consolidação territorial com expressão máxima no Tratado de Alcañices. Em virtude da importância estratégica e comercial da vila, o seu complexo amuralhado foi objecto de intervenções ao longo dos séculos XIV e XV. No reinado de Manuel I, inicia-se um amplo programa de refortificação, através do qual se procurou dotar as fortificações existentes de condições que lhes permitissem proteger o território de investidas estrangerias, levadas a cabo com recurso à pólvora.

O reforço do seu papel na defesa da passagem do rio Minho durante a Guerra da Restauração, possibilitou a construção de um novo complexo fortificado, de forma abaluartada, aproveitando as estruturas medievais anteriores.

A renovada independência portuguesa face a Espanha (1640) e a necessidade do reforço das suas estruturas defensivas levou a que, tal como as restantes fortalezas raianas, também Valença fosse preparada para o conflito armado que duraria mais 28 anos.

No âmbito da preparação logística das fortalezas minhotas, Valença tornou-se a cabeça de defesa da linha do Minho. Neste local, estava concentrada a maior parte da infantaria, munições, artilharias e outros apetrechos de guerra enviados para o Minho, os quais eram posteriormente distribuídos através de carruagens pelas restantes fortalezas da região.

A praça foi objecto de diversas investidas (1643, 1657, 1658), embora, só em 1662, tenha sido tomada pelas forças espanholas. Encontrava-se, contudo, na posse dos portugueses em 1668, no final do conflito.

A Fortaleza de Valença é composta por dois recintos poligonais irregulares:  a Coroada (a sul) e Magistral ou Vila Velha (a norte) interligadas pelas Portas do Meio. O sistema defensivo moderno iniciou-se pelo recinto da Coroada, pelo lado sul, o qual apresentava maiores debilidades em termos defensivos.

Após a morte de Michel Lescolles (1683), o plano foi continuado pelo seu sucessor e discípulo, Manuel Pinto Villalobos.